terça-feira, 5 de novembro de 2013

A ECONOMIA AFRICANA

A ECONOMIA AFRICANA

Como promover o desenvolvimento de mais de 905 milhões de africanos, incluindo milhões de famintos e miseráveis, em um novo milênio marcado por modernas conquistas tecnológicas, científicas e industriais?

Agropecuária e mineração

Agropecuária
Pastoreio nômade no deserto, pecuária extensiva nas estepes, modernos cultivos de algodão, amendoim, cacau, café, chá, cana-de-açúcar e outros produtos de exportação em meio a florestas e savanas: a agropecuária africana é diversificada, havendo predomínio da agricultura de subsistência, em pequenas propriedades, com uso de técnicas rudimentares.
Perspectivas sombrias

O modelo colonial colocou a África no papel de fornecedora de matérias-primas e de compradora de produtos industrializados das potências europeias. Essa posição subordinada na DIT (Divisão Internacional do Trabalho), que se estabeleceu especialmente entre os países exportadores de bens manufaturados que detêm o capital e o poder econômico, e os países exportadores de matérias--primas, com mão-de-obra barata e industrialização quase inexistente, reforçou a "vocação" agrícola e mineradora na região, contribuindo para o aumento da miséria e a péssima distribuição de renda. Hoje, um continente que pouco contribui para o aquecimento global é o mais vulnerável às mudanças climáticas futuras, com seus efeitos de fome e escassez de recursos hídricos.

Mineração
Em países como Angola, Nigéria, Mauritânia, Argélia, Líbia, África do Sul, República Democrática do Congo e Zâmbia, os produtos minerais chegam a representar mais da metade das exportações. Apesar disso, sua exploração ocupa uma parcela muito pequena da PEA. A maior parte da produção é encaminhada sob a forma de minério bruto para a Europa, os Estados Unidos e o Japão.
Nas jazidas encontradas perto da superfície, a exploração é feita por garimpeiros, individualmente ou em pequenos grupos, usando--se métodos simples de trabalho. Em alguns casos, a extração de diamantes mobiliza o trabalho escravo de jovens e crianças e se associa ao contrabando das pedras preciosas e ao tráfico de armas. Isso acontece, por exemplo, em Serra Leoa, em Angola e no Congo. Nas jazidas mais profundas, que exigem equipamentos modernos de sondagem e perfuração, a extração é feita por grandes companhias mineradoras, principalmente estadunidenses e europeias.

A industrialização tardia e incompleta
O setor industrial dos países africanos, de modo geral, não apresenta diversificação nem dinamis­mo suficientes para sustentar um desenvolvimento econômico autônomo. As exceções são o Egito e a África do Sul. 
Por serem compradoras de produtos indus­trializados dos países do centro do sistema ca­pitalista, as nações africanas permanecem como meras exportadoras de matérias-primas (minérios e produtos agrícolas). A grande necessidade de pro­dutos industrializados e a pequena disponibilidade interna de capitais para comprá-los impede uma acumulação de capitais no continente, pois a maio­ria dos escassos recursos financeiros acaba sendo canalizada para o exterior com as importações.
Boa parte das indústrias que atuam em solo africano é composta de transnacionais ou de em­presas ligadas a grupos tradicionais da pequena eli­te africana, altamente concentradora de lucros.

Programas de industrialização
O processo de industrialização iniciou-se na África após a descolonização, nas décadas de 1950 e 1960.
Nos países onde ocorreu algum desenvolvimen­to industrial, criaram-se as condições para:
  fortalecimento das economias nacionais, possibilitado pelo aumento da renda das po­pulações e do consumo interno, assim como pela geração de novas atividades produtivas e novos postos de trabalho;
  incremento das bases económicas nacio­nais, visando diminuir as importações e aumentar a poupança interna dos países;
  surgimento da OUA (Organização da Unida­de Africana), em 1961, buscando dar unidade política e estabilidade económica e territorial à África;
  aumento do grau de benefíciamento das mer­cadorias, com o objetivo de aumentar a lucratividade dos setores voltados para a exportação. Observe o mapa
Obstáculos à industrialização
•  Pequena participação no comércio mun­dial. As exportações africanas ainda são irrisórias, mas têm conseguido isenções de tarifas especialmente por parte da União Europeia (figura 12).
•  Escassez de capital. As nações africanas são obrigadas a recorrer a empréstimos interna­cionais, elevando suas dívidas externas.
•  Remessa de lucros. As transnacionais esta­belecidas na África remetem os lucros para seus países de origem.
•  Escassez de mão-de-obra qualificada. A baixa qualificação dos trabalhadores africa­nos desestimula a instalação de indústrias modernas no continente, no contexto da globalização econômica.
•  Mercado interno restrito. Grande parte da população africana ainda reside na zona rural e tem baixíssimo poder de compra.
•  Guerras civis. As guerras interétnicas e intertribais abalam economias e populações em diversos países da África.

 A integração econômica da África
Apesar dos incessantes conflitos, a integração econômica do continente africano é possível. A África tem potencial econômico, exemplificado pela riqueza do subsolo, pela grande biodiversidade e pelo potencial criativo de seus povos e culturas.
Algumas tentativas políticas têm sido realizadas para promover a unidade e a prosperidade econômica do continente, entre elas a SADC (Comuni­dade de Desenvolvimento da África Austral) e a UA (União Africana).
A SADC, maior bloco comercial da África, enfrenta problemas nas esferas política, econômica, social, militar, ambiental e cultural. Um dos maiores desafios é conseguir colocar em prática um protocolo sobre livre circulação de pessoas e produtos. Isso porque o bloco não tem o respaldo da chamada sociedade civil dos países africanos nos programas de acão que propõe.
A UA surgiu em julho de 2002, em substitui­ção à OUA (Organização da Unidade Africana). Uma de suas realizações para enfrentar a insta­bilidade política no continente foi a criação do Conselho de Paz e Segurança, destinado a inter­vir em conflitos étnicos e tribais para prevenir genocídios.


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