A ECONOMIA AFRICANA
Como promover o
desenvolvimento de mais de 905 milhões de africanos,
incluindo milhões de famintos e miseráveis, em um novo milênio marcado por
modernas conquistas tecnológicas, científicas e industriais?
Agropecuária
e mineração
Agropecuária
Pastoreio nômade
no deserto, pecuária extensiva nas estepes, modernos cultivos de algodão,
amendoim, cacau, café, chá, cana-de-açúcar e outros produtos de exportação em
meio a florestas e savanas: a agropecuária africana é diversificada, havendo predomínio
da agricultura de subsistência, em pequenas propriedades, com uso de técnicas
rudimentares.
Perspectivas sombrias
O modelo colonial colocou a África no
papel de fornecedora de matérias-primas e de
compradora de produtos industrializados das potências
europeias. Essa posição subordinada na DIT (Divisão Internacional
do Trabalho), que se estabeleceu especialmente entre
os países
exportadores
de bens manufaturados que detêm o capital e o
poder
econômico,
e os países exportadores de matérias--primas,
com mão-de-obra barata e industrialização
quase
inexistente, reforçou a "vocação" agrícola e mineradora na região,
contribuindo para o aumento
da
miséria e a péssima distribuição de renda. Hoje, um
continente
que pouco contribui para o aquecimento global é o
mais vulnerável às mudanças climáticas futuras, com
seus
efeitos
de fome e escassez de recursos hídricos.
Mineração
Em países como Angola, Nigéria, Mauritânia, Argélia,
Líbia, África do Sul, República Democrática do Congo e Zâmbia, os
produtos minerais chegam a representar mais da metade das exportações. Apesar disso, sua exploração ocupa uma
parcela muito pequena da PEA. A maior parte da produção é encaminhada sob a
forma de minério bruto para a Europa, os Estados Unidos e o Japão.
Nas jazidas encontradas perto da superfície,
a exploração é feita por garimpeiros, individualmente ou em pequenos grupos,
usando--se métodos simples de
trabalho. Em alguns casos, a extração de diamantes mobiliza o trabalho escravo
de jovens e crianças e se associa ao contrabando das pedras preciosas e ao tráfico
de armas.
Isso acontece, por exemplo, em Serra Leoa, em Angola e no Congo. Nas jazidas
mais profundas, que exigem equipamentos modernos de sondagem e perfuração,
a extração é feita por grandes companhias mineradoras, principalmente
estadunidenses e europeias.
A industrialização tardia e incompleta
O setor industrial dos
países
africanos, de modo geral, não apresenta diversificação nem dinamismo
suficientes para sustentar um desenvolvimento econômico autônomo. As exceções
são o Egito e a África do Sul.
Por serem compradoras de
produtos industrializados dos países do centro do sistema capitalista, as
nações africanas permanecem como meras exportadoras de matérias-primas
(minérios e produtos agrícolas). A grande necessidade de produtos
industrializados e a pequena disponibilidade interna de capitais para
comprá-los impede uma acumulação de capitais no continente, pois a maioria dos
escassos recursos financeiros acaba sendo canalizada para o exterior com as
importações.
Boa parte das indústrias que atuam em solo
africano é composta de transnacionais ou de empresas ligadas a grupos
tradicionais da pequena elite africana, altamente concentradora de lucros.
Programas de industrialização
O processo de industrialização iniciou-se na África
após a descolonização, nas décadas de 1950 e 1960.
Nos países onde ocorreu algum
desenvolvimento industrial, criaram-se as condições para:
• fortalecimento
das economias nacionais, possibilitado pelo aumento da renda das populações
e do consumo interno, assim como pela geração de novas atividades produtivas e
novos postos de trabalho;
• incremento
das bases económicas nacionais, visando diminuir as importações e aumentar
a poupança interna dos países;
• surgimento
da OUA (Organização da Unidade Africana), em 1961, buscando dar unidade
política e estabilidade económica e territorial à África;
• aumento do grau de benefíciamento das mercadorias,
com o objetivo de aumentar a lucratividade dos setores voltados para a
exportação. Observe o mapa
Obstáculos à industrialização
• Pequena
participação no comércio mundial. As exportações africanas ainda são
irrisórias, mas têm conseguido isenções de tarifas especialmente por parte da
União Europeia (figura 12).
• Escassez de
capital. As nações africanas são obrigadas a recorrer a empréstimos internacionais,
elevando suas dívidas externas.
• Remessa de
lucros. As transnacionais estabelecidas na África remetem os lucros para seus
países de origem.
• Escassez de mão-de-obra qualificada. A baixa qualificação dos trabalhadores africanos
desestimula a instalação de indústrias modernas no continente, no contexto da
globalização econômica.
• Mercado interno
restrito. Grande parte da população africana ainda reside na zona rural e tem
baixíssimo poder de compra.
• Guerras civis.
As guerras interétnicas e intertribais abalam economias e populações em
diversos países da África.
A integração econômica da África
Apesar dos incessantes
conflitos, a integração econômica do continente africano é possível. A África
tem potencial econômico, exemplificado pela riqueza do subsolo, pela grande
biodiversidade e pelo potencial criativo de seus povos e culturas.
Algumas tentativas políticas têm sido realizadas
para promover a unidade e a prosperidade econômica do continente, entre elas a
SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) e a UA (União
Africana).
A SADC, maior bloco
comercial da África,
enfrenta problemas nas esferas política, econômica, social, militar, ambiental
e cultural. Um dos maiores desafios é conseguir colocar em prática um protocolo
sobre livre circulação de pessoas e produtos. Isso porque o bloco não tem o
respaldo da chamada sociedade civil dos países africanos nos programas de acão que
propõe.
A UA surgiu em julho de 2002, em substituição
à OUA (Organização da Unidade Africana). Uma de suas realizações para enfrentar
a instabilidade política no continente foi a criação do Conselho de Paz e
Segurança, destinado a intervir em conflitos étnicos e tribais para prevenir
genocídios.
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